Educação pós-COVID-19
Gestão

Uma das principais dúvidas dos gestores de escolas hoje é quando voltar a receber alunos nas dependências da sua instituição, e como fazer isso com segurança. O coronavírus mudou a educação e nos colocou – gestores, educadores, estudantes, funcionários e fornecedores – diante do desafio de repensar as formas de aprendizado e o ambiente em que ocorrem. Buscamos reunir aqui algumas informações para ajudar no planejamento de escolas e universidades.

Em um momento inicial as instituições de ensino precisaram suspender todas as atividades presenciais e buscaram maneiras de não interromper as atividades acadêmicas de seus alunos. As que já tinham plataformas de ensino à distância implementadas puderam ampliar o seu uso para todos os alunos, mantendo a maior parte das atividades em andamento. Outras tiveram que implementar do zero o uso de softwares como Zoom, Google Classroom, Microsoft Teams, Discord, entre outros. Educadores passaram por treinamentos para aprender a usar as novas ferramentas e junto de seus estudantes superaram o período de adaptação. A agilidade em aceitar esse novo contexto e agir com rapidez foi essencial para reduzir a interrupção nos processos de aprendizagem em curso.

Com a retomada das atividades presenciais, a maior preocupação dos gestores será manter o ambiente seguro para os alunos, educadores e funcionários. As instituições podem criar escalas de horário para reduzir a circulação em suas dependências, criar uma combinação de ensino presencial e remoto, e realizar alterações nos espaços físicos para garantir a distância entre os alunos que reduza a transmissão de doenças. As medidas adotadas devem estar em constante revisão para acompanhar as novas informações apontadas por cientistas sobre o comportamento do COVID-19, mantendo os ambientes cada vez mais seguros.

A reabertura de escolas permite não só a retomada das atividades acadêmicas presenciais como também o apoio aos pais e responsáveis que estão voltando ao trabalho ou que nem chegaram a parar. No entanto, ainda há muita incerteza em torno da reabertura. Para garantir a segurança de alunos, educadores e funcionários, tudo será diferente – das salas de aula até os espaços comuns –; e o quanto antes as instituições se adaptarem, mais rápido poderão beneficiar seus alunos com o retorno à convivência no ambiente acadêmico.

O período de distanciamento social deve revelar novos potenciais de experiências educacionais, reinventando as possibilidade do espaço físico das salas de aula. Educadores poderão considerar quais atividades têm melhor aplicação presencial ou online, e os espaços deverão se adequar a cada necessidade. As instituições de ensino que investirem em uma robusta plataforma de ensino híbrido terão mais sucesso, enquanto aquelas muito apegadas ao passado tendem a não se destacar.

Como é possível aplicar esses conceitos em sua instituição?

Ações de gestão

As adaptações para a nova realidade nos ambientes educacionais será estressante para gestores, educadores, estudantes e pais, e será necessário otimizar os recursos e tecnologias para se alcalçar os resultados desejados. O desafio é retornar às atividades oferecendo um ambiente seguro e a solução está no planejamento minucioso antes da reabertura, que deve contemplar:

  • Formação de uma equipe multidisciplinar para tratar das questões de saúde e segurança como: espaço físico, protocolos de comunicação, higienização e desinfecção, equipamentos de proteção individual, entre outras. Esta equipe deve definir os protocolos e coordenar sua execução antes do retorno dos alunos e professores com reuniões diárias para acompanhamento e ajustes.
  • Desenvolver novos protocolos para o campus, incluindo: triagem de sintomas e temperatura; medidas a serem adotadas caso alguém apresente sintomas; alterações nos horários de lanchonetes, restaurantes e áreas comuns, entre outros.
  • Desenvolver novos protocolos de comunicação, incluindo: treinamentos de segurança; revisão das novas práticas de distanciamento físico, higiene, sanitização e uso de EPI; procedimentos para identificar necessidade de auto-quarentena; sinalização das áreas de isolamento, postos de controle de saúde, além de sinalização no piso para delinear práticas seguras de distanciamento. Utilizar todos os canais disponíveis como e-mail, intranet e mensagens para reforçar as novas práticas.
  • Desenvolver novos protocolos de limpeza, que devem contemplar: limpeza contínua e métodos de desinfecção; controle de estoque de materiais como sabão, spray de desinfecção, desinfetantes para as mãos, entre outros; limpeza profunda realizada antes da reabertura da instituição ou quando identificado algum caso de COVID-19 no ambiente, preferencialmente realizada por terceiros com equipamentos e materiais mais agressivos; incentivo a alunos a limparem mesas individuais; entre outros.
  • Determinar diretrizes do uso de EPI, incluindo: orientações claras de quais equipamentos devem ser utilizados pelos alunos, professores e funcionários de acordo com a atividade ou setor; garantia de suprimento dos equipamentos; nomeação de profissionais que supervisionem as políticas adotadas; fornecimento de máscaras; entre outras.
  • Utilizar indicadores para avaliar a eficácia dos protocolos implementados.
  • Revisão permanente para atualizar os protocolos a partir de dados científicos e aprendizado sobre como lidar efetivamente com esse patógeno e com qualquer pandemia futura.

Na sala de aula

Ilustração por Freepik

A sala de aula é o melhor lugar para potencializar o aprendizado e as pessoas estão ansiosas para voltar a ter encontros presenciais. Para que estudantes, educadores e colaboradores retornem ao ambiente acadêmico com confiança é importante considerar uma combinação de: ajustes no número de alunos por m2; alterações na disposição do mobiliário; uso de divisória e barreiras entre os alunos; e orientações de higiene e segurança. As principais medidas são:

  • Limitar o número de alunos por sala respeitando a distância mínima de 2 metros, o que implica em repensar seu layout. Em salas com mesas individuais estas podem ser afastadas umas das outras e móveis empilháveis são ideais para liberar o espaço, enquanto em salas com mesas duplas uma alternativa é manter espaços vazios entre cada aluno.
  • Reduzir ou eliminar o compartilhamento de mesas.
  • Alterar a orientação das mesas para evitar o contato cara-a-cara.
  • Aumentar as barreiras físicas de proliferação, utilizando divisórias acopladas às mesas.
  • Utilizar divisórias com a maior altura possível em ambientes em que a distância de 2 metros não puder ser mantida.
  • Implementar sistema híbrido usando software para conectar o educador e alunos que estão na sala com os alunos que estão em casa. Um setup básico poderia incluir 2 câmeras na sala de aula (uma apontada para o professor, outra para os alunos) e uma tela para que os alunos presentes na sala de aula possam ver os alunos remotos.
  • Manter ambiente arejado com janelas abertas, quando possível.
  • Oferecer “Estações de Sanitização” que podem incluir desinfetante para as mãos e também toalhas de papel e desinfetante para incentivar que os alunos mantenham suas mesas limpas.
  • Realizar refeições na sala evitando aglomerações no refeitório, quando possível.
  • Utilizar espaços maiores, como biblioteca ou pátios, para realização de aulas com mais alunos. Nesse caso, o uso de quadro-branco móvel e carrinhos de TV móveis ajudam a fornecer ferramentas de apoio ao professor.
  • Investir em soluções que favoreçam a mobilidade para que seja fácil transformar qualquer ambiente em um ambiente de sala de aula. Podem ser utilizados móveis fáceis de transportar e que permitam o uso em diferentes layouts.

Nas áreas comuns

Ilustração por Freepik

As áreas de circulação e convivência também podem ser modificadas para evitar aglomerações. Algumas medidas que podem ser tomadas:

  • Criação de escala para garantir que todos os alunos tenham acesso às dependências físicas da instituição, avaliando quais atividades se beneficiam do uso do espaço físico e quais se beneficiam do ambiente online.
  • Criação de escala para uso de pátios, evitando o contato entre alunos de diferentes turmas.
  • Horários diferentes de entrada e saída para cada turma, evitando contato entre alunos de diferentes turmas.
  • Nas áreas de circulação a adoção do fluxo de sentido único evita o contato cara-a-cara das pessoas e pode ser facilmente implementado com a instalação de sinalização no piso.
  • Aumento da frequência de limpeza em todos os ambientes da instituição.
  • Oferecer todo material para garantir higienização das mãos, de preferência com acionamento automático ou por pedal.
  • Realizar monitoramento de temperatura e do uso de máscaras.
  • Demarcar no piso áreas para facilitar o distanciamento.

Nas áreas administrativas e sala de professores

Alterações espaciais podem fornecer mais segurança aos professores e funcionários nos ambientes administrativos, como por exemplo:

  • Criar espaços de trabalho individuais utilizando divisórias altas (mais de 1,60 m).
  • Utilizar um quadro branco móvel como divisória para criar um espaço de escrita na área de trabalho.
  • Aumentar o espaço de armazenamento de materiais e itens pessoais para evitar deslocamentos desnecessários.
  • Alterar a posição das mesas para aumentar o espaço entre os funcionários.
  • Alterar a orientação das mesas para evitar o contato cara-a-cara.
  • Adotar todas as medidas de higiene das mãos e uso de máscaras.

Em casa, para educadores

Alguns ajustes no espaço utilizado pelos educadores em casa podem trazer mais conforto e eficiência para as suas atividades. Selecionamos algumas:

  • A utilização de um monitor adicional permite a visualização simultânea do conteúdo em um e dos alunos no outro.
  • Quadro branco bem posicionado em relação à câmera, ou ferramenta de quadro virtual.
  • Uma boa iluminação garante melhor qualidade de imagem. As melhores posições para o educador são de frente ou ao lado de uma janela, e nunca de costas para ela.
  • Uma estante bem posicionada oferece espaço para o educador guardar materiais de apoio ou de referência, além de objetos de decoração que ajudem a criar um ambiente mais aconchegante.
  • Uma cadeira adequada, com ajustes de altura e braços, cria um ambiente de trabalho mais confortável.
  • O uso de mesa com ajuste de altura dá flexibilidade ao professor para ficar sentado quando estiver preparando aulas ou relatórios, ou em pé quando interagir com os alunos ou utilizar o quadro.

Em casa, para estudantes

Para os estudantes, o ideal é criar um espaço dedicado ao aprendizado. Selecionamos algumas características que devem estar presentes:

  • Compartimento para materiais escolares com fácil alcance, podendo ser um gaveteiro com rodinhas ou prateleiras.
  • Uma cadeira adequada, com ajustes de altura e braços, cria um ambiente de trabalho mais confortável.
  • Uma boa iluminação garante melhor qualidade de imagem. As melhores posições para o estudante são de frente ou ao lado de uma janela, e nunca de costas para ela.
  • Buscar ambiente com bom isolamento acústico para reduzir as distrações de outras atividades da casa.
  • Uso de divisórias ou biombos para criar um ambiente mais isolado e direcionado às atividades acadêmicas.

Experiências em outros países

As sugestões acima já foram implementadas em países que iniciaram a flexbilização do isolamento social. Uma matéria do portal de notícias G1 listou algumas medidas tomadas por países como China, Coreia do Sul, Dinamarca, Finlândia, França, Inglaterra, Israel, e Portugal, que já estão retornando às aulas presenciais. Entre elas podemos destacar:

  1. Desinfecção de escolas – Medidas extras de limpeza, com produtos desinfetantes e maior frequência para maçanetas, sanitários e interruptores.
  2. Tenda de desinfecção – Presente na entrada das instituições de ensino por onde todos os alunos devem passar.
  3. Controle de temperatura – Realizado diariamente em todos os alunos, educadores e colaboradores para identificar febre, um dos sintomas mais comuns do COVID-19. A orientação é de informar as autoridades caso seja identificada temperatura acima de 37°C.
  4. Uso de máscaras – Alguns países como China estão utilizando em todos os alunos, inclusive dentro da sala de aula. Na Dinamarca o uso é recomendado também em locais públicos. Em Israel e na França para as crianças abaixo da 4a série o uso está dispensado, mas a escola deve ter máscaras para as que apresentem sintomas utilizem enquanto aguardam seu responsável.
  5. Lavagem de mãos e instalação de torneiras – Obrigatória a lavagem das mão pelo menos ao chegar e ao sair da escola. Alguns países instalaram torneiras na parte externa dos prédios, ou até dentro da sala de aula, assim como dispensadores de material desinfetante para as mãos.
  6. Grupos menores de alunos –  Finlândia e Dinamarca reduziram pela metade o número de alunos em sala, fazendo revezamento enquanto na Coréia do Sul algumas escolas receberão um terço dos alunos.
  7. Distanciamento – França e Dinamarca recomendam um metro de distância, enquanto Israel recomenda 2 metros. Alguns países estão utilizando barreiras físicas como paredes acrílicas para evitar a dispersão de gotículas da fala, como na Coréia do Sul. Para estudantes menores o desafio é maior e uma escola na China resolveu de forma lúdica o problema: os alunos passaram a vestir asas de papelão para não esquecerem de manter a distância uns dos outros.
  8. Horários diferentes de entrada e saída – Em Portugal, Finlândia, Israel e Dinamarca os horários de entrada, saída e intervalos de cada turma foram alterados para não coincidirem, evitando aglomerações. Além disso, na Dinamarca estão utilizando portões diferentes para entrada e saída, evitando o contato cara-a-cara.
  9. Arejar a sala – Na França, as escolas foram orientadas a abrir as janelas antes das aulas, durante os intervalos e após a saída dos alunos.
  10. Afastar professores do grupo de risco – Professores com mais de 65 anos em Israel estão sendo mantidos em casa para evitar que fiquem expostos caso ocorra uma nova onda de circulação.

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